quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E se a solução for você?

Liriane Kämpf

Dias atrás ouvi a seguinte sentença: “todo mundo quer seu espaço no trânsito”. E, de fato, todos devem ter seu espaço no trânsito. Para garantir este espaço existem as leis. O problema é quando você quer o seu espaço e o do outro também. Aí, vira um samba do crioulo doido.
 
Embora a necessidade de melhorar a estrutura viária de Curitiba seja flagrante, mais importante é a reciclagem da mentalidade do curitibano, como sociedade. Motoristas não respeitam ciclistas, que, por sua vez, não respeitam o mínimo de legislação destinada a estes (andar do lado direito da pista, no sentido do fluxo, parar em sinais vermelho, etc). Os pedestres desafiam motoristas a tocarem o carro em cima deles, enquanto andam lentamente pela faixa de pedestres. No final das contas, o cidadão curitibano parece não estar pronto para conceber a ideia de que o trânsito é de todos. Todo mundo quer mais espaço, mas ninguém quer abrir mão de ir à panificadora (aquela que fica a duas quadras da sua casa) de carro.
 
Não sejamos hipócritas de dizer para largarem o conforto de seus carros para andarem como sardinhas enlatadas nos biarticulados da cidade. De fato, o transporte público (que é uma alternativa) deixa muito a desejar. Para andar de bicicleta em Curitiba, é necessária uma certa coragem, já que as ciclovias são escassas, assim como a segurança e a iluminação em alguns pontos da cidade. E ainda não temos a opção do metrô.
Porém, esperar sentado que tudo mude da noite para o dia não é muito esperto da nossa parte, enquanto cidadãos. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Boston, a cidade tende a se transformar em termos de estrutura conforme a demanda se apresenta.
 
Com certeza, não temos a gestão mais preocupada com a mobilidade urbana. Por outro lado, ainda não temos, também, uma população que se interesse em praticar transportes alternativos. Talvez, a solução esteja justamente na mudança de mentalidade de cada cidadão.

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