Liriane
Kämpf
Dias atrás ouvi a seguinte sentença: “todo
mundo quer seu espaço no trânsito”. E, de fato, todos devem ter seu espaço no
trânsito. Para garantir este espaço existem as leis. O problema é quando você
quer o seu espaço e o do outro também. Aí, vira um samba do crioulo doido.
Embora a necessidade de melhorar a
estrutura viária de Curitiba seja flagrante, mais importante é a reciclagem da
mentalidade do curitibano, como sociedade. Motoristas não respeitam ciclistas,
que, por sua vez, não respeitam o mínimo de legislação destinada a estes (andar
do lado direito da pista, no sentido do fluxo, parar em sinais vermelho, etc).
Os pedestres desafiam motoristas a tocarem o carro em cima deles, enquanto
andam lentamente pela faixa de pedestres. No final das contas, o cidadão
curitibano parece não estar pronto para conceber a ideia de que o trânsito é de
todos. Todo mundo quer mais espaço, mas ninguém quer abrir mão de ir à
panificadora (aquela que fica a duas quadras da sua casa) de carro.
Não sejamos hipócritas de dizer para
largarem o conforto de seus carros para andarem como sardinhas enlatadas nos
biarticulados da cidade. De fato, o transporte público (que é uma alternativa)
deixa muito a desejar. Para andar de bicicleta em Curitiba, é necessária uma
certa coragem, já que as ciclovias são escassas, assim como a segurança e a
iluminação em alguns pontos da cidade. E ainda não temos a opção do metrô.
Porém, esperar sentado que tudo mude da
noite para o dia não é muito esperto da nossa parte, enquanto cidadãos. Segundo
pesquisa realizada pela Universidade de Boston, a cidade tende a se transformar
em termos de estrutura conforme a demanda se apresenta.
Com certeza, não temos a gestão mais
preocupada com a mobilidade urbana. Por outro lado, ainda não temos, também,
uma população que se interesse em praticar transportes alternativos. Talvez, a
solução esteja justamente na mudança de mentalidade de cada cidadão.
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