sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Propostas para mobilidade urbana em Curitiba são vagas.


O jornal Capital da Noticia traz a você uma análise das ideias dos candidatos à prefeitura de Curitiba para melhorar a mobilidade urbana na capital paranaense.
                                                              Noele Dornelles




A dois anos de ser uma das cidades sede da Copa do Mundo de 2014, Curitiba precisa melhorar a mobilidade urbana. O novo prefeito da capital terá que fazer grandes mudanças na infraestrutura e nos meios de transporte. Em estudo realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PR), uma das alternativas para o transporte é o uso das bicicletas.


A equipe do Capital da Notícia procurou os candidatos à prefeitura para saber quais as suas propostas e analisá-las verificando suas viabilidades, de forma a descobrir qual o papel das bicicletas na capital paranaense e como os candidatos as veem, seja como meio de transporte ou de lazer. O professor Carlos Hardt, de Arquitetura e Urbanismo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), analisou as propostas e fez uma contrapartida do que é viável ao transporte de Curitiba.

Gustavo Fruet: “Faremos uma ampliação de 300Km  de ciclorotas e caminhos compartilhados. A bicicleta é um modal importante que deve ser incentivado principalmente em trechos de menor distância, assim preservaremos o meio ambiente e a nossa Curitiba”.

Carlos Hardt: “Em relação ao modal “sistema cicloviário”, Curitiba ainda não oferece condições para se utilizá-lo, como alternativa de deslocamento cotidiano, salvo entre alguns poucos trechos urbanos. Os maiores problemas se concentram na falta de infraestrutura e de qualificação das vias destinadas às bicicletas”.

Ratinho Junior: “Iremos aumentar as ciclofaixas, mas a bicicleta ainda é um instrumento de lazer, para passear, para descontração nos finais de semana. Curitiba ainda não tem uma visão das ciclovias e da bicicleta como mobilidade, como meio de transporte”.

Carlos Hardt: “Propõe metas gerais. Preocupa quando não especifica o compartilhamento
(em que situações seria utilizado), está certo quanto à prioridade de deslocamentos mais
curtos, porém não especifica que os mesmos deveriam fazer parte de uma rede, sem a atual
fragmentação (trechos isolados). Finalmente utiliza um argumento que não deveria ser o de maior relevância para o sistema, pois o impacto ambiental não pode ser a principal justificativa. A população não se motivará a utilizar o modal se não houver ganhos de conveniência e segurança também”.

Rafael Greca: “Devemos fazer a cada ano 150 quilômetros de ciclovias até chegarmos a um horizonte de até 600 quilômetros, as ciclovias com 2,2 metros de largura, sinalizadas e protegidas, sempre que possível do lado direito do tráfego”.

Carlos Hardt : “O candidato Rafael Grecca propõe metas anuais, com algum detalhe geométrico, que não pode ser genérico, pois o dimensionamento da via deve ser adequada ao volume de fluxo, sentido do fluxo e outras características”.

Luciano Ducci: “Vamos fazer uma nova ciclovia, mais moderna, no canteiro central da avenida Visconde de Guarapuava. A nova ciclovia fará conexão nas duas pontas com os ramais cicloviariosdas avenidas Mariano Torres e Sete de Setembro. E ainda o Plano de governo prevê 400 km de ciclovias”.

Carlos Hardt: “A implantação da ciclovia na avenida Visconde de Guarapuava, embora positiva por acrescentar um novo trecho, não pode ser considerada como decisiva para o sistema. Há projetos de investimentos no sistema há algum tempo e que não foram materializadas, além da crítica que se faz a algumas obras absolutamente equivocadas sob ponto de vista técnico”.

A infraestrutura de Curitiba ainda tem que ser bem estudada para a implementação de novas ciclofaixas, que valorize quem está andando de bicicleta por lazer e também por trabalho. O compartilhamento e o dimensionamento atual das ciclovias ou ciclofaixas não são adequados para um trafegar seguro. Somente seria viável, em situações especiais, com baixo fluxo de pedestres e de ciclistas, com dimensionamento muito mais generoso que o da maioria das vias existentes.

Segundo Hardt, as propostas dos candidatos são muito genéricas. “Se verificarmos as últimas campanhas e planos da Prefeitura, poderíamos constatar a falta de investimentos e a não realização de muitas das proposições. O quantitativo de ciclovias a serem realizadas aparentemente é resultado de um número genérico, mas que não tem consistência técnica, nem em relação de quais trechos executar e nem nas especificações de como fazê-las”.

O CREA-PR vai disponibilizar ao futuro prefeito uma cartilha sobre Mobilidade Urbana, mostrando quais são os lugares, as vias para o desenvolvimento da capital para melhorar a mobilidade das pessoas e também ajudar o prefeito há melhor à ciclovia ou ciclofaixa. “Se os candidatos seguirem a risca essa cartilha os curitibanos terão condições melhores de mobilidade urbana na cidade”, diz Joel Krüger, presidente do CREA-PR.

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