O jornal Capital da Noticia traz a você uma análise das ideias dos candidatos à prefeitura de Curitiba para melhorar a mobilidade urbana na capital paranaense.
Noele Dornelles
A dois anos de ser uma das cidades sede
da Copa do Mundo de 2014, Curitiba precisa melhorar a mobilidade urbana. O novo
prefeito da capital terá que fazer grandes mudanças na infraestrutura e nos
meios de transporte. Em estudo realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia (CREA-PR), uma das alternativas para o transporte é o uso das
bicicletas.
A
equipe do Capital da Notícia procurou os candidatos à prefeitura para saber
quais as suas propostas e analisá-las verificando suas viabilidades, de forma a
descobrir qual o papel das bicicletas na capital paranaense e como os
candidatos as veem, seja como meio de transporte ou de lazer. O professor
Carlos Hardt, de Arquitetura e Urbanismo, da Pontifícia Universidade Católica do
Paraná (PUC-PR), analisou as propostas e fez uma contrapartida do que é viável
ao transporte de Curitiba.
Gustavo Fruet:
“Faremos uma ampliação de 300Km de
ciclorotas e caminhos compartilhados. A bicicleta é um modal importante que deve
ser incentivado principalmente em trechos de menor distância, assim
preservaremos o meio ambiente e a nossa Curitiba”.
Carlos Hardt:
“Em relação ao modal “sistema cicloviário”, Curitiba ainda não oferece
condições para se utilizá-lo, como alternativa de deslocamento cotidiano,
salvo entre alguns poucos trechos urbanos. Os maiores problemas se concentram na
falta de infraestrutura e de qualificação das vias destinadas às bicicletas”.
Ratinho Junior:
“Iremos aumentar as ciclofaixas, mas a bicicleta ainda é um instrumento de
lazer, para passear, para descontração nos finais de semana. Curitiba ainda não
tem uma visão das ciclovias e da bicicleta como mobilidade, como meio de transporte”.
Carlos Hardt:
“Propõe metas gerais. Preocupa quando não especifica o compartilhamento
(em que situações seria utilizado), está certo quanto à
prioridade de deslocamentos mais
curtos, porém não especifica que os mesmos deveriam fazer parte
de uma rede, sem a atual
fragmentação (trechos isolados). Finalmente utiliza um
argumento que não deveria ser o de maior relevância para o sistema, pois o impacto
ambiental não pode ser a principal justificativa. A população não se motivará a
utilizar o modal se não houver ganhos de conveniência e segurança também”.
Rafael Greca:
“Devemos fazer a cada ano 150 quilômetros de ciclovias até chegarmos a um
horizonte de até 600 quilômetros, as ciclovias com 2,2 metros de largura, sinalizadas
e protegidas, sempre que possível do lado direito do tráfego”.
Carlos Hardt :
“O candidato Rafael Grecca propõe metas anuais, com algum detalhe geométrico,
que não pode ser genérico, pois o dimensionamento da via deve ser adequada ao
volume de fluxo, sentido do fluxo e outras características”.
Luciano Ducci:
“Vamos fazer uma nova ciclovia, mais moderna, no canteiro central da avenida
Visconde de Guarapuava. A nova ciclovia fará conexão nas duas pontas com os
ramais cicloviariosdas avenidas Mariano Torres e Sete de Setembro. E ainda o
Plano de governo prevê 400 km de ciclovias”.
Carlos Hardt:
“A implantação da ciclovia na avenida Visconde de Guarapuava, embora positiva por
acrescentar um novo trecho, não pode ser considerada como decisiva para o
sistema. Há projetos de investimentos no sistema há algum tempo e que não foram
materializadas, além da crítica que se faz a algumas obras absolutamente
equivocadas sob ponto de vista técnico”.
A
infraestrutura de Curitiba ainda tem que ser bem estudada para a implementação
de novas ciclofaixas,
que valorize quem está andando de bicicleta por lazer e também por trabalho. O
compartilhamento e o dimensionamento atual das ciclovias ou ciclofaixas não são
adequados para um trafegar seguro. Somente seria viável, em situações
especiais, com baixo fluxo de pedestres e de ciclistas, com
dimensionamento muito mais generoso que o da maioria das vias existentes.
Segundo
Hardt, as propostas dos candidatos são muito genéricas. “Se verificarmos as
últimas campanhas e planos da Prefeitura, poderíamos constatar a falta de
investimentos e a não realização de muitas das proposições. O quantitativo de
ciclovias a serem realizadas aparentemente é resultado de um número genérico,
mas que não tem consistência técnica, nem em relação de quais trechos executar
e nem nas especificações de como fazê-las”.
O
CREA-PR vai disponibilizar ao futuro prefeito uma cartilha sobre Mobilidade
Urbana, mostrando quais são os lugares, as vias para o desenvolvimento da
capital para melhorar a mobilidade das pessoas e também ajudar o prefeito há
melhor à ciclovia ou ciclofaixa. “Se os candidatos seguirem a risca essa
cartilha os curitibanos terão condições melhores de mobilidade urbana na
cidade”, diz Joel Krüger, presidente do CREA-PR.

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